Por: Vinicius Zart

CREF: 014991 - G/RS

Coach e CEO ZartFit

9 de julho de 2015

308 compart.

Neste outro artigo, expliquei algumas questões básicas sobre avaliação física, como sua função, estrutura, orientações práticas para o dia do procedimento, classificações de desempenho, avaliação postural, avaliação da composição corporal básica e a importância de tudo isso.

Foi uma introdução ao assunto, que caso você nunca tenha feito avaliação ou não entenda muito bem esses componentes básicos, aconselho que leia, antes de prosseguir nesse.

Já vimos que ela é importante, se você se preocupa com os resultados do seu treinamento, com a sua evolução e sua saúde. Vimos também que é a única maneira de quantificar sua progressão.

Sua eficiência, no entanto, vai depender de algumas questões como: métodos, protocolos e equipamentos utilizados, além da técnica e experiência do avaliador, que vamos entrar em mais detalhes neste post.

Também produzimos uma Planilha de Avaliações Físicas, para download gratuito, onde você poderá acompanhar a evolução da sua composição corporal e perímetros.

Os registros dos valores também servem para analisar a eficiência do seu treinamento.

Métodos de Avaliação da Composição Corporal

Existem três tipos de métodos de avaliação da composição corporal: métodos diretos, indiretos e duplamente indiretos.

Cada um é realizado de uma maneira diferente, com equipamentos diferentes e consequentemente fornece informações distintas, com maior ou menor grau de precisão.

Antes de analisarmos cada um, é importante que você saiba que nenhum teste ou medida é perfeito, todos estão sujeitos a erros relacionados a variações biológicas dos indivíduos, técnica e condições de medida e problemas em equipamentos. Justamente essas possibilidades que vamos abordar aqui também.

Métodos Diretos:

Os métodos diretos de avaliação da composição corporal eu tenho a leve impressão que você não vá querer fazer, pois são realizados através da dissecação do cadáver, hehe.

São os mais precisos, pois é feito um fracionamento das massas diretamente no corpo.

São separados todos os tecidos, como ossos, gordura, pele, músculos e vísceras. São medidos e pesados, separadamente, por isso extremamente precisos e chamados de diretos. 

Porém, acredito que não valha a pena se submeter a eles para conhecer a sua composição corporal, rsrsrs.

Imagens reais (e fortes!) a seguir:

Esses métodos começaram a ser mais estudados e desenvolvidos a partir de 1921, após um antropólogo tcheco, Jindrich Matiegka, publicar sua idéia de fracionamento do corpo em seus tecidos, a partir de medições antropométricas e dados anatômicos de cadáveres que  sofreram execuções na Alemanha no século XIX.

Foram os primórdios das pesquisas nessa área, que anos depois deram origem a Cineantropometria – ciência que estuda a mensuração e tamanho das proporções do corpo humano e suas aplicações e influências no movimento.

A partir das medidas diretas dos componentes estruturais do corpo humano e suas relações com alguns princípios químicos e físicos, como proporções e densidades dos componentes, foi possível chegar aos dados que proporcionam as estimativas indiretas.

Métodos Indiretos:

Os métodos indiretos de avaliação da composição corporal são viáveis de serem realizados e são considerados o padrão ouro, maior grau de precisão, pois são derivados dos diretos.

As desvantagens são o custo dos procedimentos, pois requerem equipamentos caríssimos, profissionais especializados para manuseá-los e local adequado. São disponíveis somente em alguns hospitais e clínicas específicas.

Um exemplo é o DEXA (Dual Energy X-Ray Absorptiometry) – Método de imagem que identifica os componentes (massa gorda, massa magra e massa óssea) através da diferença de densidade de cada tecido.

Avaliação da Composição Corporal

Outro exemplo de método indireto, mais conhecido, é a Ressonância Magnética, que emite uma radiação elétromagnética e gera uma imagem dos tecidos do corpo.

Conforme as características bioquímicas de cada tecido, gera um sinal de ressonância de diferente intensidade e também uma diferente coloração na imagem, destacando cada um.

Avaliação da Composição Corporal

Seguindo o raciocínio da origem dos métodos de avaliação da composição corporal, temos um tipo (direto) que é inviável de ser realizado em vida e outro (indireto) que é possível, mas complexo e custoso.

Foi então, da necessidade de se terem métodos mais simples, que surgiram os duplamente indiretos. Por que esse termo?

Porque, em contrapartida dessa necessidade, as pesquisas com métodos diretos, no final dos anos 80, se tornaram cada vez mais difíceis de serem aprovadas, devido a novas regras nos comitês de ética em pesquisa.

Por mais que sejam cadáveres e que seja pelo bem do avanço da ciência é necessário uma série de autorizações para essa finalidade.

Resumindo, os métodos de dobras cutâneas e bioimpedância, que veremos a seguir, e também outros, foram validados a partir de métodos indiretos.

Foram formuladas equações, através de modelos estatísticos, para predizer variáveis associadas a esses procedimentos indiretos, ou seja, são duplamente indiretos.

Métodos Duplamente Indiretos:

Os métodos duplamente indiretos de avaliação da composição corporal são menos rigorosos, porém apresentam melhor aplicação prática e menor custo financeiro.

Um exemplo é a Bioimpedância Elétrica – Método cujo aparelho é portátil e se baseia na condução de uma corrente elétrica indolor de baixa intensidade através do corpo.

É aplicada ao organismo por meio de cabos conectados a eletrodos ou superfícies condutoras, que são colocados em contato com a pele.

Toda matéria oferece uma determinada resistência ao fluxo de corrente elétrica e a oposição ao fluxo da corrente é medida.

Como a gordura tem pouca quantidade de água, ela não é uma boa condutora de energia e oferece maior resistência a corrente. Portanto, esse valor de resistência é proporcional ao percentual de gordura.

Avaliação da Composição Corporal

A validade e a precisão do método de bioimpedância elétrica são influenciadas por vários fatores, como tipo de instrumento, colocação do eletrodo, nível de hidratação, alimentação, ciclo menstrual, temperatura ambiente e equação de predição.

Para não comprometer os resultados, alguns cuidados são necessários: não comer ou beber quatro horas antes do teste, não fazer exercícios 12 horas antes, urinar 30 minutos antes, não consumir álcool nas 24 horas anteriores e não ter feito uso de medicamentos diuréticos nos últimos sete dias.

Além de todos esse cuidados, existem dezenas de equações de predição, que devem ser utilizadas conforme o perfil do avaliado.

Cada equação foi derivada de pesquisas que utilizaram, como amostragem populacional, indivíduos com determinadas características.

Portanto, se não for escolhida a equação equivalente, existe uma margem de erro maior ainda.

Na prática, vemos no mercado muitos equipamentos de bioimpedância que não permitem alterar essa equação. É utilizada a mesma para todo mundo.

Outro exemplo é o método de Dobras Cutâneas, que baseia-se no fato que: aproximadamente metade do conteúdo total da gordura corporal fica localizada nos depósitos adiposos existentes diretamente debaixo da pele (gordura subcutânea).

Portanto, em cima disso, foram elaboradas equações para estimar o percentual de gordura através dos milímetros de gordura de todas dobras.

Avaliação da Composição Corporal

Então, por mais que o método de dobras cutâneas também dependa de algumas diferentes equações, conforme o perfil, elas podem ser alteradas diretamente no software utilizado para os cálculos.

Os cuidados pré procedimento, para realizar a avaliação da composição corporal por meio de dobras, também são bem menores e mais simples.

Como nenhum método é perfeito, existem as seguintes possibilidades de interferências:

  • Condições de medida (local): de preferência o ambiente deve ser bem iluminado e livre de barulho, para boa visualização dos pontos de medida e registro dos números corretamente.
  • Técnica de medida: o avaliador precisa de muita prática nos procedimentos para ter precisão no manuseio dos equipamentos e na marcação dos locais exatos.
  • Procedimento: é muito comum vermos avaliações feitas com pressa, onde são realizadas somente uma aferição. O correto é realizar três aferições em cada dobra cutânea, de forma não consecutiva, ou seja, fazendo um rodízio.E utilizar a dobra mediana como registro final, para diminuir a margem de erro. Ex: medidas com 10, 10,5 e 11 milímetros de gordura, registra-se o 10,5.
  • Calibração de equipamentos: qualquer equipamento deve ser calibrado periodicamente e conforme a frequência de uso, pois vão se descalibrando e perdendo a precisão naturalmente. Exemplos: balanças (peso total), plicômetros (dobras cutâneas), esfigmomanômetros (pressão arterial) e outros.
  • Diferença entre avaliadores: é importante realizar a avaliação sempre com o mesmo avaliador, pois por mais que as técnicas sejam as mesmas, as pequenas diferenças na aplicação delas acabam influenciando nos resultados.

Na verdade, todas essas possibilidades de interferências listadas também podem ocorrer nos outros métodos, portanto a minha sugestão é sempre procurar avaliadores experientes, e de preferência que tenham realizado os cursos da ISAK (Sociedade Internacional para o Avanço da Cineantropometria).

A ISAK tem o objetivo de padronizar a técnica no mundo, justamente pelo fato que mesmo se utilizando uma mesma técnica, os métodos estão sujeitos a erros.

Conclusão

Tirando os erros por desconhecimento dos procedimentos, problemas com equipamentos e pouca habilidade na aplicação das técnicas, uma grande margem de erro encontra-se justamente na conversão de valores reais em percentuais, através de equações.

Os erros de procedimentos, aplicação e equipamentos podem ser facilmente resolvidos com um bom profissional.

Agora quanto as equações, muitas foram elaboradas através de amostras populacionais de outros países, com características completamente diferentes das nossas em termos de estrutura corporal.

Resultado? Valores subestimados ou superestimados, dependendo da equação escolhida.

Essa “necessidade” de conversão em percentuais está muito relacionada com a necessidade de comparação que o ser humano tem, principalmente com outras pessoas.

Com certeza, comparar o seu percentual de gordura com o de outras pessoas não vai te trazer nenhum retorno positivo, muito menos prático, que vá auxiliar na prescrição do seu treinamento.

A verdadeira importância da avaliação é justamente identificar oportunidades de melhorias e nortear a prescrição.

Outra função importante é acompanhar o desenvolvimento, que não necessariamente tem que ser através dos percentuais.

É uma forma de ter uma visão geral da situação? Sim, mas devido aos erros que não temos controle, como no caso das equações não específicas, que convertem medidas reais em percentuais, não seria a melhor forma de acompanhar o desenvolvimento.

Dentro desse raciocínio, uma das frases mais sensatas que tive a oportunidade de me deparar, foi a do Dr. Francis Johnston (1982), do Departamento de Antropologia da Universidade da Pensilvânia:

“Antes de converter as dobras em percentual de gordura, convêm utilizar as dobras por si mesmas”

– Dr. Francis Johnston

Para o acompanhamento do desenvolvimento, uma das melhores maneiras, ou seja, com menor margem de erro é apenas pelo somatório das dobras.

Digamos que em uma primeira avaliação, com um protocolo de 7 dobras, seu somatório foi de 95 milímetros de gordura.

Já na reavaliação, em torno de uns 2 meses depois, baixou para 75 milímetros. Isso quer dizer que você reduziu a gordura corporal e está no caminho certo em relação ao treinamento e alimentação, que é o que de fato importa!

Assim você consegue registrar seus resultados e avaliar a eficiência do seu treinamento!

Agora que você já sabe tudo sobre avaliações físicas, faça o download gratuito da Planilha abaixo, para acompanhar a evolução da sua composição corporal e perímetros do ano inteiro.

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